Home Notícias A Amazon abriu a sua supply chain ao mundo. E não é para vendedores do marketplace

A Amazon abriu a sua supply chain ao mundo. E não é para vendedores do marketplace

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📰 Fonte: Supply Chain Mag

Melissa Vale analisa, neste artigo de opinião, o lançamento do novo serviço Amazon Supply Chain Services (ASCS). Ao unificar a sua rede e a abri-la a qualquer setor, a Amazon está a colocar as empresas entre a espada e a parede: abraçar a eficiência máxima ou proteger a independência e a soberania dos próprios dados.

É sabido que a Amazon tem frota própria, armazéns, aviação de carga e redes de entrega de última milha. O que mudou, em maio de 2026, foi outra coisa: ela decidiu abrir essa infraestrutura a qualquer empresa, em qualquer setor, independentemente de vender na plataforma Amazon. O serviço chama-se Amazon Supply Chain Services (ASCS). E o próprio paralelo que a Amazon usa para o descrever é revelador. 

A Amazon está a trazer a infraestrutura, a inteligência e a escala dos seus serviços de supply chain a empresas de todo o mundo, tal como a Amazon Web Services fez para a computação em cloud. (Amazon, 2026) 

Organiza-se em quatro serviços distintos, que podem ser contratados de forma independente ou combinada, sem contratos de longo prazo obrigatórios. 

No próprio dia do anúncio, as ações da FedEx e da UPS caíram 10%. Analistas prevêem impacto significativo em transportadoras aéreas, operadores de  armazéns e armadores marítimos. O ASCS entra pelo mercado de operadores logísticos terceirizados (3PL) com escala, dados e IA que poucos conseguem igualar.

Porém, os operadores tradicionais têm algo que a automação ainda não compra: décadas de relações B2B construídas, conhecimento regulatório profundo em setores como farmacêutico, automóvel e industrial, e capacidade de resposta a operações complexas e atípicas. 

Os mais ameaçados de forma imediata são os operadores de médio porte que competem em preço e volume sem diferenciação clara. Para quem compete por especialização setorial, a pressão não é imediata. 

A instabilidade geopolítica no Estreito de Ormuz está a encarecer o frete marítimo e a pressionar o transporte rodoviário europeu. Num momento em que os custos operacionais sobem, otimizar rotas por IA, posicionar inventário próximo da procura e redirecionar fluxos em tempo real tem valor económico direto.  

A questão em aberto é se as empresas europeias terão acesso às mesmas condições e tarifas que os clientes norte-americanos. 

A Amazon não inventou o frete, o armazém ou a entrega de encomendas. O que fez foi integrar tudo numa rede única, e declarar que essa rede está agora disponível para qualquer empresa no mundo. Para os operadores logísticos a pergunta não é se o ASCS é uma ameaça. É em que segmentos, a que velocidade, e com que intensidade. Para as empresas a pergunta é: que parte da minha operação beneficia desta infraestrutura? E que parte da minha informação comercial estou disposto a partilhar? 

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