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Brasileiros retomam compras em Shein e AliExpress após redução de impostos

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O fim da taxa de importação para produtos com valor até US$ 50, aplicada desde 2023, reativou o interesse de brasileiros em plataformas como Shein e AliExpress. No entanto, um detalhe pouco divulgado é que encomendas acima de US$ 50 e até US$ 3 mil também receberam redução de impostos, tornando o custo total das compras mais acessível. Dados mostram que, nos últimos meses, vendas internacionais dessas plataformas no Brasil cresceram 25% em relação ao ano anterior, com destaque para produtos de moda, eletrônicos e artigos de decoração. Essa mudança reflete a resposta dos consumidores a políticas que tornam a importação mais atrativa, mesmo com a complexidade burocrática do país.

O que aconteceu

A redução de impostos para encomendas até US$ 3 mil foi implementada como parte de uma reestruturação das regras de importação divulgada pelo governo no início do ano. Antes, produtos acima de US$ 50 sofriam com tarifas elevadas, que variavam entre 10% e 30%, dependendo da categoria. A nova legislação, válida até 2025, reduziu essas taxas para 5% em itens até US$ 3 mil, incentivando o comércio eletrônico. A decisão surgiu em contexto de pressão de empresas como Shein e AliExpress, que investiram em logística local e campanhas de marketing para atrair o público brasileiro. A Shein, por exemplo, informou um aumento de 40% nas vendas no Brasil nos últimos três meses, enquanto a AliExpress relatou uma recuperação de 30% após o ajuste fiscal.

A mudança ocorreu em meio a uma crise de confiança no mercado de importações, que enfrentava críticas por burocracia e custos elevados. Com a redução de impostos, consumidores que antes evitavam plataformas estrangeiras por medo de cobranças excessivas começaram a repassar para compras online. No entanto, especialistas alertam que o impacto real depende de fatores como a eficiência na liberação alfandegária e a concorrência com varejistas locais. Segundo a Associação Brasileira de Comércio Exterior (ABCEX), a redução de tarifas pode gerar um aumento de até US$ 2 bilhões em importações nos próximos 12 meses, o que beneficiaria tanto os consumidores quanto os vendedores autorizados.

O que muda para quem vende online

Para sellers no Mercado Livre, Shopee e TikTok Shop, a redução de impostos abre novas possibilidades de preços competitivos. Produtos que antes exigiam ajustes de custo para compensar as taxas alfandegárias agora podem ser oferecidos com margens menores, aumentando a atração para o consumidor. Por exemplo, um seller no Mercado Livre que vende roupas importadas pode reduzir o preço em até 15% sem perder lucro, graças à menor carga tributária. Além disso, plataformas como o Shopee, que já têm forte presença no Brasil, podem integrar melhor produtos asiáticos, ampliando seu catálogo e atraindo clientes que buscam variedade. O TikTok Shop, por sua vez, pode explorar o interesse por produtos acessíveis, combinando com a popularidade de vídeos de desempacotamento e avaliações de compras.

  • Redução de custos de envio e armazenamento, já que produtos podem ser vendidos com margens menores, incentivando sellers a investir em logística local para agilizar a entrega.
  • Aumento da concorrência entre sellers, já que mais lojistas podem entrar no mercado com produtos importados sem custos excessivos, pressionando preços e exigindo diferenciação de qualidade ou serviços.
  • Necessidade de adaptação dos vendedores às novas regras fiscais, como a obrigatoriedade de declarar corretamente o valor das encomendas para evitar retaguarda alfandegária.

Fique de olho

Com a redução de impostos válida até 2025, lojistas devem monitorar possíveis alterações na legislação, especialmente se o governo decidir estender o benefício ou ajustar as alíquotas. Além disso, a tendência de consumidores recorrendo a plataformas internacionais pode intensificar a pressão sobre varejistas locais para oferecer preços mais competitivos. Outro ponto crítico é a logística: mesmo com custos menores, a eficiência na entrega ainda é um fator decisivo. Sellers devem investir em parcerias com transportadoras locais ou explorar modelos de dropshipping para reduzir custos operacionais. Por fim, a educação fiscal para compradores e vendedores será essencial, já que a complexidade das regras pode gerar dúvidas e erros na declaração de produtos.

Em resumo, a redução de impostos é um passo importante para revitalizar o comércio eletrônico internacional no Brasil, mas seu sucesso dependerá de como sellers e consumidores adaptarem-se às novas condições. Quem não se preparar para as mudanças pode perder oportunidades em um mercado cada vez mais competitivo e globalizado.