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Citi revê recomendação do Mercado Livre após resultados do 1T26: impactos para sellers

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A decisão do banco de investimento Citi de retirar a recomendação de compra do Mercado Livre (MEL) veio logo após a divulgação dos resultados do primeiro trimestre de 2026, que mostraram queda nas vendas líquidas e lucro operacional. No período, a plataforma registrou receita de R$ 12,5 bilhões, 3,8 % abaixo da meta de mercado, e lucro líquido de R$ 1,2 bilhões, 12,4 % abaixo do esperado. A mudança de postura do Citi sinaliza preocupações sobre a competitividade e a margem de crescimento futuro da gigante do marketplace.

O que aconteceu

No dia 10 de maio, o Citi publicou um relatório de revisão de recomendação, passando de “Buy” para “Neutral” em relação ao MEL. O banco citou a queda na margem de contribuição, a pressão de custos operacionais e a intensificação da concorrência de plataformas como Shopee, TikTok Shop e marketplaces internacionais. Embora o MEL tenha mantido um fluxo de usuários superior a 70 milhões ativos mensais, a empresa enfrentou desafios na conversão de visitas em vendas, especialmente em categorias de moda e eletrônicos.

O relatório também destacou que a estratégia de expansão de infraestrutura logística, com novos centros de distribuição em São Paulo e Belo Horizonte, ainda não gerou o retorno esperado em termos de custo-benefício. Além disso, a alta de 9,3 % na taxa de cancelamento em relação ao período anterior levantou dúvidas sobre a satisfação do cliente. O Citi recomendou que investidores revisem suas posições, pois a expectativa de crescimento anual de 15 % agora parece otimista.

O que muda para quem vende online

Para os sellers que dependem do Mercado Livre, a mudança de recomendação pode afetar o custo de capital e a percepção de risco do marketplace. Com a possibilidade de queda no valor das ações, investidores institucionais podem reduzir fundos destinados à plataforma, impactando a liquidez de vendedores que utilizam serviços de financiamento interno.

Além disso, o MEL pode ajustar suas políticas de comissão e taxas de venda em resposta à pressão competitiva. Sellers já notaram um aumento de 0,3 % nas taxas de processamento de pagamentos em categorias de eletrônicos, refletindo o esforço da plataforma em compensar custos logísticos.

  • Revisão de taxas de comissão e processamento
  • Possível redução de investimento em logística e marketing
  • Aumento de concorrência de marketplaces alternativos

Fique de olho

Os lojistas devem monitorar as próximas decisões regulatórias da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) sobre práticas de marketplaces, bem como o desempenho de concorrentes como Shopee e TikTok Shop, que têm investido em campanhas de aquisição de usuários. A tendência de consolidação de serviços de pagamento e logística pode levar a parcerias estratégicas que alterem o ecossistema de vendas online.

Além disso, as tendências de consumo pós-pandemia, com ênfase em compras por voz e dispositivos móveis, exigirão adaptações rápidas de catálogo e experiência de compra. Sellers que otimizarem suas estratégias de SEO interno e investirem em marketing digital têm maiores chances de se manter competitivos em meio a esse cenário de incertezas.