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Como a UPS está a responder aos desafios de procurement na cadeia farmacêutica

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📰 Fonte: Supply Chain Mag

UPS investe 48 milhões de dólares em 27 plataformas de cross-docking com controlo de temperatura para responder aos desafios de procurement na cadeia farmacêutica global.

A UPS anunciou um investimento de 48 milhões de dólares (cerca de 44,5 milhões de euros) em 27 centros de cross-docking com controlo de temperatura, espalhados por mercados-chave dos Estados Unidos, Europa, Ásia e Américas. Para as equipas de procurement farmacêutico, o anúncio chega numa altura em que falhas de temperatura na cadeia de frio podem custar até 35 mil milhões de dólares por ano ao setor, e a escolha de parceiros logísticos qualificados tornou-se um critério cada vez mais decisivo nos processos de sourcing.

O investimento, divulgado a 22 de junho, reforça a rede de cadeia de frio da UPS num contexto em que a procura por medicamentos biológicos com requisitos rígidos de temperatura não para de crescer. Um centro de cross-docking é uma instalação onde a carga é transferida diretamente entre meios de transporte, neste caso entre avião e camião, com tempo mínimo de armazenamento intermédio. As 27 novas instalações garantem essa transferência rápida sem quebrar as gamas de temperatura exigidas: 2ºC a 8ºC, 15ºC a 25ºC ou congelado. Todas têm certificação IATA CEIV Pharma, o referencial da indústria para o manuseamento de produtos farmacêuticos, e este tipo de certificação é precisamente um dos critérios que as equipas de compras avaliam quando selecionam fornecedores logísticos.

A pressão sobre o sourcing farmacêutico tem várias origens. Segundo a Organização Mundial de Saúde, falhas de temperatura contribuem para até metade do desperdício global de vacinas. E com cerca de um em cada três novos medicamentos aprovados a ser hoje um produto biológico, mais de 85% dos quais exigindo transporte com temperatura controlada, segundo dados citados pela PharmaSource, os ciclos de negociação de contratos tendem a alongar-se e os acordos de nível de serviço a tornar-se mais detalhados. Cada vez mais, os processos de tender exigem aos fornecedores estudos de validação, mapeamento de temperatura e documentação de avaliação de risco.

Kate Gutmann, vice-presidente executiva e presidente da divisão Internacional, Saúde e Soluções de Cadeia de Abastecimento da UPS, afirma que o investimento alinha a rede de cross-docks com as necessidades específicas dos clientes do setor da saúde. John Bolla, presidente da UPS Healthcare, sublinha que o reforço da cadeia de abastecimento visa proteger tratamentos e diagnósticos inovadores.

Do ponto de vista de gestão de risco, redes logísticas fragmentadas multiplicam o número de transferências e, com isso, o risco de falhas térmicas. Consolidar a logística com um único fornecedor integrado, como propõe a UPS, pode reduzir essas lacunas de responsabilidade, embora também aumente a dependência face a esse parceiro, algo que as equipas de procurement devem ponderar ao desenhar a estratégia de sourcing. A UPS opera atualmente mais de 1,78 milhões de m² de espaço de distribuição em saúde com certificação cGMP e GDP (boas práticas de fabrico e de distribuição) a nível global, e disponibiliza uma torre de controlo permanente para monitorizar envios e intervir em caso de risco.

A expansão soma-se a aquisições recentes da UPS no setor, incluindo a Bomi Group, a Frigo Trans e a BPL na Europa, e a Andlauer Healthcare Group na América do Norte. A UPS reforçou ainda o hub aéreo de Incheon, na Coreia do Sul, para sustentar o crescimento dos fluxos comerciais farmacêuticos na região: o país importou cerca de 9,7 mil milhões de dólares em produtos farmacêuticos em 2025, segundo dados do Observatory of Economic Complexity, um volume que ajuda a justificar o reforço da capacidade logística na Ásia-Pacífico.

Segundo a Growth Market Reports, o mercado de biológicos sensíveis à temperatura deverá crescer a um ritmo anual composto de 8,3% até 2033, atingindo 39,1 mil milhões de dólares, uma tendência que deverá continuar a pressionar os critérios de seleção de fornecedores logísticos no setor farmacêutico.

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