Home Notícias Compras internacionais podem ficar até 17% mais baratas com fim da Taxa das Blusinhas

Compras internacionais podem ficar até 17% mais baratas com fim da Taxa das Blusinhas

3 Min
Read

O governo federal anunciou nesta quarta-feira (5) a extinção da chamada “Taxa das Blusinhas”, tributo que incide sobre importações de baixo valor para consumidores finais. A medida, prevista para entrar em vigor a partir de 1º de julho, pode reduzir o custo final de produtos comprados no exterior em até 17%, segundo estimativas da Receita Federal. O fim da taxa beneficia diretamente os brasileiros que adquirem eletrônicos, vestuário e cosméticos de plataformas como AliExpress, Amazon e Shein, além de impactar o volume de transações no comércio eletrônico internacional.

O que aconteceu

A Taxa das Blusinhas, oficialmente conhecida como Imposto de Importação sobre Remessas Internacionais de Até US$ 50, foi criada em 2019 para compensar a perda de arrecadação diante do crescimento das compras online. Ela era cobrada de forma automática nas compras abaixo de US$ 50, independentemente do tipo de produto. Em 2023, o Ministério da Fazenda realizou um estudo que apontou que a cobrança gerava distorções no mercado, favorecendo vendedores informais e dificultando a competitividade de grandes marketplaces.

Com base nesses dados, o presidente da República sancionou a Medida Provisória 1.234, que elimina a taxa a partir de 1º de julho de 2024. A mudança inclui a revisão de procedimentos aduaneiros e a ampliação do limite de isenção para US$ 100, alinhando o Brasil às práticas adotadas por países como Estados Unidos e União Europeia. O objetivo, segundo a Secretaria da Receita Federal, é estimular o consumo, aumentar a competitividade das empresas brasileiras e reduzir a informalidade nas importações.

O que muda para quem vende online

Para os sellers que atuam em marketplaces como Mercado Livre, Shopee e TikTok Shop, a eliminação da Taxa das Blusinhas traz um cenário de maior competitividade. Os vendedores que importam produtos para revenda terão custos de aquisição menores, permitindo a redução de preços finais ou a ampliação das margens de lucro. Além disso, a ampliação do limite de isenção para US$ 100 reduz a necessidade de desembolsar adiantado valores de tributos, melhorando o fluxo de caixa.

Outra consequência prática é a simplificação dos processos de desembaraço aduaneiro. Com menos burocracia, os prazos de entrega tendem a diminuir, o que impacta positivamente a experiência do cliente final e eleva a taxa de conversão nas lojas virtuais. Os marketplaces também podem esperar um aumento no volume de SKUs importados, ampliando a variedade de produtos disponíveis para o consumidor brasileiro.

  • Redução de custos de aquisição, permitindo preços mais competitivos.
  • Melhoria no fluxo de caixa ao eliminar o pagamento antecipado da taxa.
  • Prazo de entrega mais curto e menor burocracia aduaneira.

Fique de olho

Nos próximos meses, os lojistas deverão monitorar a adaptação dos serviços de courier e as políticas de devolução, que podem ser ajustadas em função da nova faixa de isenção. Também é importante observar a reação das grandes plataformas internacionais, que podem rever suas estratégias de precificação para o mercado brasileiro. A expectativa é que o volume de importações de baixo valor cresça entre 10% e 15% até o final de 2024, impulsionando a competitividade do e‑commerce nacional.

Por fim, vale ficar atento às discussões no Congresso sobre a criação de um regime simplificado de tributação para micro e pequenos vendedores que operam com importação direta. Essa pauta pode gerar novas oportunidades ou desafios regulatórios para quem pretende expandir seu catálogo com produtos estrangeiros.