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Conhecimento, talento e IA: o retrato da nova logística portuguesa nos PEL 2026

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📰 Fonte: Supply Chain Mag

Da inteligência artificial alimentada pela experiência dos carteiros à formação desenhada em conjunto com as empresas, os Prémios de Excelência Logística deste ano, promovidos pela Associação Portuguesa de Logística (APLOG) revelaram uma logística portuguesa cada vez mais orientada para o conhecimento, inovação e capacidade de adaptação.

Há um carteiro que sabe exatamente onde fica “a casa amarela ao lado da igreja”, em Lagos. Não porque essa indicação conste de um mapa ou de uma base de dados, mas porque conhece o território, as pessoas e os seus hábitos. Durante décadas, esse conhecimento terminou quando o carteiro mudou de percurso ou passou o testemunho a outro colega. Hoje, começa a ficar registado, aprendido e partilhado por um sistema de inteligência artificial.

Foi precisamente esta capacidade de transformar experiência humana em inteligência operacional que valeu aos CTT o Prémio de Excelência Logística Empresa 2026, atribuído pela APLOG. Mais do que um projeto tecnológico, o Postman Digital Brain | AI Decision Layer traduz uma ideia que acabou por marcar toda a cerimónia: o futuro da logística constrói-se quando a tecnologia aprende com as pessoas.

Não deixa de ser simbólico que os Prémios de Excelência Logística tenham sido entregues na Adega do Palácio Marquês de Pombal, em Oeiras. Num edifício concebido no século XVIII para transformar conhecimento, técnica e organização em valor económico na produção e envelhecimento do vinho, discutiu-se agora outra forma de criar valor: transformar conhecimento em inteligência operacional.

Foi neste enquadramento que empresas, instituições de ensino e empreendedores foram distinguidos por projetos que refletem as principais transformações do setor. Inteligência artificial, digitalização, qualificação de talento e inovação aplicada foram temas recorrentes ao longo de uma tarde que confirmou um setor em plena mudança e cada vez mais apostado em criar valor a partir do que sabe. A edição deste ano contou com a Parques Tejo e a Oeiras Valley como patrocinadores oficiais das categorias Empresa e Startup, e a Luís Simões – Logística Integrada na categoria Academia.

Antes da entrega dos prémios, o presidente da APLOG, Afonso Almeida, deixou um sinal particularmente relevante: esta foi a edição com maior número de candidaturas e com projetos de qualidade crescente; segundo ele, um indicador da maturidade que o setor tem vindo a alcançar. O responsável recordou ainda que o vencedor da categoria Empresa representará Portugal no ELA Award – Project of the Year, da European Logistics Association, competição onde os projetos nacionais têm alcançado posições de destaque como realçou.

Como já vem sendo hábito, a cerimónia contou com a intervenção de um convidado na abertura, este ano Vitor Caldeirinha, presidente do Conselho de Administração dos Portos de Lisboa e de Setúbal e coordenador da Estratégia Nacional Portos 5+, que anunciou um “virar de página” no investimento portuário nacional, com 15 novas concessões e cerca de quatro mil milhões de euros de investimento previstos para a próxima década. [Saber+]

Ao apresentar o projeto vencedor dos CTT, distinguido por um júri presidido por Jorge Marques dos Santos, Paulo Silva, diretor de estratégia e desenvolvimento das operações dos CTT, descreveu uma inteligência artificial construída de forma pouco convencional: em vez de substituir o conhecimento dos carteiros, procura captá-lo e preservá-lo.

O sistema permite que os distribuidores “ensinem” o algoritmo a interpretar referências informais que fazem parte do quotidiano da distribuição postal. Uma indicação como “a casa amarela ao lado da igreja” deixa de depender exclusivamente da memória de quem conhece o percurso e passa a integrar uma base de conhecimento partilhada, disponível para qualquer distribuidor futuro.

Mas o projeto vai além da simples localização de moradas. O sistema incorpora preferências de entrega, aprende continuamente com a operação e procura aumentar a eficiência, reduzindo as dificuldades associadas, por exemplo, aos períodos de férias ou à substituição temporária de carteiros. Como resumiu o responsável dos CTT, o objetivo passa por “transformar o conhecimento em inteligência, a inteligência em melhores decisões e as melhores decisões em valor para os clientes”.

Se a inteligência operacional foi uma das protagonistas da tarde, a formação especializada surgiu como outro dos grandes pilares.

O Instituto Politécnico de Setúbal – Escola Superior de Ciências Empresariais recebeu o PEL Academia 2026, entregue por José Luís Simões, presidente do júri da categoria e presidente da Luís Simões, pelo projeto “Da Investigação à Capacitação Setorial: Pós-Graduação em Logística Marítima e Portuária no Ecossistema Academia NEXUS”.

Na apresentação do projeto, Luís Lopes explicou que a formação nasceu de um trabalho conjunto entre academia e empresas, envolvendo um conselho consultivo constituído por diferentes entidades do ecossistema marítimo-portuário. O objetivo foi construir um programa alinhado com as necessidades atuais e futuras de um setor responsável por mais de 85% da movimentação mundial de mercadorias. A distinção ganha ainda maior significado por coincidir com a terceira edição da pós-graduação, validando uma abordagem construída em estreita ligação ao mercado.

A qualidade das candidaturas levou ainda o júri a atribuir uma Menção Honrosa à Católica Porto Business School, pela Pós-Graduação em Logística e Cadeia de Abastecimento.

Raul Magalhães, que recebeu a distinção em nome da escola, destacou um modelo fortemente ligado às empresas, onde cerca de 70% dos docentes são profissionais da indústria, operadores logísticos e consultores. A componente prática inclui workshops, masterclasses abertas ao setor e desafios reais lançados por quatro empresas do Norte do país, permitindo aos alunos trabalhar diretamente sobre problemas concretos das organizações.

Na categoria Startup, o prémio distinguiu a Logistics WMS, da Bytes Vadios, pelo projeto “WMS Inteligente como Alavanca de Competitividade para o Tecido Logístico Português”.

Miguel Catela apresentou uma plataforma que pretende tornar acessíveis às empresas portuguesas capacidades normalmente associadas aos grandes operadores internacionais. Em vez de funcionar apenas como um chatbot que responde a perguntas, o sistema analisa indicadores, estabelece correlações entre os KPI e atua de forma proativa, alertando os responsáveis para oportunidades de melhoria operacional.

Já implementada em mais de três dezenas de empresas, a solução procura, nas palavras do responsável, “trazer a inteligência da Amazon” para organizações de diferentes dimensões, combinando tecnologia, conhecimento operacional e experiência acumulada no desenvolvimento de software logístico.

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