O cenário do e-commerce brasileiro registra uma nova movimentação com o retorno do volume de compras em gigantes asiáticas como Shein e AliExpress. A mudança ocorre após o fim da taxa de importação para encomendas na faixa de até US$ 50, incentivando consumidores a retomarem a busca por produtos internacionais. Além disso, um detalhe crucial e menos divulgado é que encomendas de até US$ 3 mil também passaram por reduções tributárias, ampliando a competitividade do cross-border no país.
O que aconteceu
A recente alteração nas regras de tributação de importações trouxe um alívio imediato para o bolso do consumidor final, que havia reduzido a frequência de compras devido ao aumento de custos nos últimos meses. Com a isenção ou redução de impostos para compras de baixo valor (até US$ 50), plataformas como Shein e AliExpress viram um salto no tráfego e nas conversões, já que o preço final do produto voltou a ser atrativo frente às opções nacionais.
Entretanto, o ponto de maior impacto para o mercado de médio e alto ticket é a redução de impostos para encomendas que chegam a US$ 3 mil. Essa medida, que não recebeu a mesma visibilidade da isenção de US$ 50, permite que a importação de eletrônicos, equipamentos profissionais e produtos de maior valor agregado se torne mais viável, diminuindo a barreira de entrada para mercadorias que antes eram proibitivas devido à carga tributária brasileira.
Essa mudança reflete uma tentativa de equilibrar o fluxo de mercadorias e a arrecadação, mas acaba gerando um novo ciclo de competição intensa entre o varejo local e os players globais, que possuem cadeias logísticas extremamente otimizadas e custos de produção reduzidos.
O que muda para quem vende online
Para os sellers brasileiros que operam em marketplaces como Mercado Livre, Shopee e TikTok Shop, o cenário exige uma revisão imediata de precificação e estratégia de estoque. A volta da competitividade agressiva dos chineses coloca pressão sobre as margens de lucro de quem revende produtos importados ou fabrica localmente com custos elevados. O lojista agora precisa focar menos no preço bruto e mais na entrega de valor agregado para reter o cliente.
A dinâmica de concorrência muda drasticamente, especialmente para quem atua em nichos de moda e eletrônicos. A agilidade na entrega (last mile) e a garantia de pós-venda tornam-se os únicos diferenciais reais contra o preço imbatível do cross-border. Sellers que dependem apenas de “arbitragem de preço” podem enfrentar quedas significativas nas vendas se não diversificarem seu mix de produtos.
- Pressão nas Margens: Necessidade de otimizar custos operacionais para conseguir competir com os preços reduzidos das plataformas asiáticas.
- Foco na Logística: A entrega rápida (Full) torna-se o principal argumento de venda contra o tempo de espera da importação.
- Curadoria de Produtos: Necessidade de buscar produtos exclusivos ou de marca própria para evitar a guerra de preços por commodities.
Fique de olho
Os lojistas devem monitorar atentamente as próximas movimentações do Governo Federal e da Receita Federal, pois a política tributária para importações é volátil e pode sofrer alterações rápidas para proteger a indústria nacional. A tendência é que a briga agora se desloque para a experiência do usuário, onde a confiança e a facilidade de troca podem vencer o preço baixo.
Além disso, é fundamental observar a evolução do TikTok Shop no Brasil, que pode servir de ponte para integrar a logística global com a influência digital, potencializando ainda mais o volume de vendas internacionais. Acompanhar a tendência de “social commerce” será vital para quem deseja sobreviver a essa nova onda de consumo.