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Magazine Luiza tem prejuízo e expõe fragilidade do modelo 1P no e-commerce brasileiro

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O Magazine Luiza reportou prejuízo líquido de R$ 294,4 milhões no terceiro trimestre de 2024, revertendo lucro de R$ 121,3 milhões no mesmo período do ano anterior. A receita líquida caiu 2,8% na comparação anual, para R$ 8,8 bilhões, enquanto o GMV total recuou 4,3%. O resultado expõe as dificuldades do modelo de venda direta (1P) em um cenário de juros altos, inadimplência crescente e competição acirrada com marketplaces de terceiros.

O que aconteceu

A varejista atribuiu o resultado negativo à pressão nas margens do e-commerce próprio, onde mantém estoque e assume risco de venda. As despesas com logística, marketing e provisões para devoluções superaram a receita gerada pelas vendas diretas. O segmento de marketplace (3P), que cresce dois dígitos, ainda não compensa a queda de rentabilidade do 1P. A empresa também citou impacto da Selic alta no custo de capital de giro e no poder de compra do consumidor das classes C e D, seu público core.

No acumulado de nove meses, o prejuízo chega a R$ 612 milhões. A Magalu anunciou plano de redução de despesas operacionais em R$ 1,2 bilhão até 2025, com foco em otimização de centros de distribuição, renegociação de contratos e revisão de sortimento no 1P. A estratégia prevê acelerar a migração de sellers para o marketplace, onde a margem é maior e o risco de estoque passa ao lojista.

O que muda para quem vende online

Sellers que dependiam do programa de parceria Magalu (1P) perdem poder de negociação e podem enfrentar redução de pedidos de recompra. A varejista priorizará categorias de alta rotação e margem, cortando sortimento de longa cauda. Quem opera no marketplace da Magalu (3P) ganha espaço, mas precisa absorver custos logísticos e de marketing antes subsidiados.

No Mercado Livre e Shopee, a tendência é de maior pressão por comissões competitivas e prazos de entrega mais curtos, já que a Magalu busca rentabilizar o 3P. No TikTok Shop, que avança no Brasil com modelo de afiliados e live commerce, abre-se oportunidade para categorias de impulso e ticket médio baixo, onde a Magalu tem menor presença.

  • Redução de pedidos de recompra no modelo 1P da Magalu para sortimento de baixa rotação
  • Aumento da concorrência por visibilidade no marketplace Magalu com comissões pressionadas
  • Oportunidade no TikTok Shop para categorias de impulso e ticket médio até R$ 150

Fique de olho

O movimento da Magalu sinaliza que o varejo 1P puro torna-se insustentável sem escala massiva ou financiamento próprio barato. Lojistas devem diversificar canais: manter presença no marketplace Magalu para volume, mas construir operação própria no Mercado Livre e Shopee com controle de margem. Acompanhe o guidance de GMV 3P da Magalu nos próximos balanços — se não acelerar acima de 20% ao ano, a transição de modelo pode travar.

Monitorar também o avanço do TikTok Shop no Brasil: a plataforma já testa logística própria e pode se tornar terceiro pilar obrigatório para sellers de moda, beleza e casa. Quem depender de um único canal (seja 1P ou 3P) ficará exposto a mudanças unilaterais de regras e comissões.