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Mercado logístico mais do que duplica ocupação no segundo trimestre

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📰 Fonte: Supply Chain Mag

O mercado português de imobiliário industrial e logístico registou uma forte recuperação no segundo trimestre de 2026, alcançando 134 mil metros quadrados de ocupação, mais do dobro do volume registado nos primeiros três meses do ano. A procura foi impulsionada sobretudo pela relocalização de empresas para ativos de nova geração, com melhores condições técnicas e maior capacidade de resposta às exigências das operações logísticas.

De acordo com o mais recente Dils Recap, apesar do crescimento trimestral, a absorção acumulada no primeiro semestre permaneceu cerca de 7% abaixo do valor registado no período homólogo de 2025. A consultora atribui esta evolução à escassez de espaços disponíveis com características adequadas às necessidades atuais dos ocupantes.

Entre as maiores operações realizadas no segundo trimestre encontra-se a ocupação de 34.770 metros quadrados pela ID Logistics, na zona do Montijo-Alcochete, na Grande Lisboa. No Norte, destacam-se duas operações no Panattoni Park Valongo, que representam, em conjunto, 25 mil metros quadrados.

A nova oferta colocada no mercado durante o trimestre rondou os 32 mil metros quadrados. Até ao final de 2026, está prevista a conclusão de aproximadamente 321 mil metros quadrados de espaços industriais e logísticos na Grande Lisboa e de outros 50 mil metros quadrados no Grande Porto. Uma parte significativa desta área encontra-se, contudo, já comprometida.

A escassez de oferta qualificada continua, assim, a condicionar a atividade e a influenciar o comportamento das rendas. Na Grande Lisboa, as rendas prime mantiveram-se estáveis nos 5,50 euros por metro quadrado/mês. No Grande Porto aumentaram para 6,00 euros por metro quadrado/mês, com os novos ativos a captarem um prémio associado à qualidade das instalações e à localização.

Industrial e logística captam 26% do investimento O segmento industrial e logístico foi também um dos principais destinos do investimento imobiliário em Portugal durante o segundo trimestre, concentrando 26% do capital aplicado. Apenas a hotelaria, com uma quota de 36%, captou um volume superior.

No conjunto do mercado imobiliário comercial, o investimento atingiu 462 milhões de euros entre abril e junho, uma redução de 18% face ao mesmo período de 2025. Ainda assim, o volume acumulado no primeiro semestre chegou aos 1,4 mil milhões de euros, mais 11% do que um ano antes.

O capital estrangeiro representou 76% do montante transacionado no segundo trimestre, mantendo um peso determinante nas operações de maior dimensão. As estratégias core e core plus concentraram mais de 80% do investimento, embora a Dils assinale uma maior presença de abordagens value add e opportunistic.

Pedro Lancastre, CEO da Dils Portugal, considera que a hotelaria e o imobiliário industrial e logístico continuam a captar capital devido à solidez da procura e do desempenho dos ativos. A estabilidade das yields, acrescenta, revela confiança no mercado, embora acompanhada por “uma maior exigência na avaliação da qualidade dos ativos, da segurança dos rendimentos e do potencial de valorização”.

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