📰 Fonte: Supply Chain Mag
Apresentado em 2021 e inicialmente previsto para entrar em operação em 2024, o Grândola Logistics Park Euro-Atlantic concluiu agora a consulta pública do Estudo de Impacte Ambiental. O projeto prevê 635 mil metros quadrados de construção e um terminal ferroviário de mercadorias no corredor Lisboa-Sines.
O Grândola Logistics Park Euro-Atlantic (GLPEA), um dos maiores projetos logísticos e industriais privados previstos para Portugal, deu um novo passo no processo de licenciamento, com a conclusão da consulta pública do respetivo Estudo de Impacte Ambiental, no passado dia 2 de julho.
O avanço ocorre cinco anos depois de o empreendimento ter sido apresentado publicamente e após sucessivos adiamentos face ao calendário inicialmente anunciado. Quando o projeto foi divulgado pela Supply Chain Magazine, em junho de 2021, a construção deveria arrancar em 2023.
Já em fevereiro de 2023, depois de o empreendimento ter sido reconhecido como Projeto de Potencial Interesse Nacional, a promotora continuava a apontar o início das obras nesse ano e a entrada em operação em 2024. Nessa altura, o CEO da Qantara Capital afirmava à SCM que o objetivo passava por “criar um novo hub logístico na Península Ibérica”.
O projeto representa agora um investimento estimado de 468 milhões de euros e pretende posicionar Grândola como um polo logístico e industrial no corredor entre Lisboa e Sines. A infraestrutura será desenvolvida numa área total de 1,3 milhões de metros quadrados, com 635 mil metros quadrados de área de construção destinada a atividades logísticas, industriais e de serviços.
Está igualmente previsto um terminal ferroviário de mercadorias, associado a um parque de contentores com 23 mil metros quadrados.
Os números agora divulgados refletem alterações em relação à configuração apresentada anteriormente. Na entrevista publicada pela SCM em fevereiro de 2023, o investimento estava estimado em 500 milhões de euros e o empreendimento previa 670 mil metros quadrados de área de construção, 300 mil metros quadrados de infraestruturas complementares e 330 mil metros quadrados de espaços verdes.
Na versão atual, o investimento desce para 468 milhões de euros e a área de construção é reduzida para 635 mil metros quadrados. Em sentido inverso, a área a preservar como zonas verdes aumenta para 410 mil metros quadrados, o equivalente a cerca de um terço do terreno.
Também a configuração interna do empreendimento evoluiu. O projeto inicialmente anunciado em 2021 previa 24 lotes industriais, com cerca de 25 mil metros quadrados cada, destinados a operações de montagem, comércio eletrónico, armazenagem e transporte.
A apresentação atual organiza a área em grandes unidades capazes de acolher instalações desenvolvidas à medida dos requisitos dos futuros ocupantes. Mantém-se, contudo, o elemento central do projeto: a criação de uma plataforma logística e industrial de grande escala, com ligação ferroviária e rodoviária e vocação para captar operações de armazenamento, produção, montagem e distribuição.
O parque terá ligação direta ao IC1 e à Linha do Sul, situando-se a oito quilómetros da autoestrada A2, a 50 quilómetros do Porto de Sines, a 64 quilómetros de Setúbal e a cerca de 100 quilómetros de Lisboa.
Esta localização permitirá articular os modos rodoviário e ferroviário e aproximar a infraestrutura das rotas marítimas que passam por Sines, reforçando a sua vocação como porta de entrada de mercadorias na Península Ibérica e no mercado europeu.
“O GLPEA assume-se como uma plataforma estratégica de escala ibérica que responde de forma direta à escassez de grandes espaços logísticos em Portugal, um fator crítico para a competitividade do país”, afirma Hadrien Fraissinet, CEO da Qantara Capital.
Segundo o responsável, a ligação entre a infraestrutura, o Porto de Sines e as principais redes europeias de transporte pretende reforçar o posicionamento de Portugal nas cadeias de abastecimento internacionais.
A intermodalidade esteve, desde o início, no centro da proposta. Em declarações à SCM, em 2023, Hadrien Fraissinet explicava que a procura do terreno tinha sido feita em articulação com a Infraestruturas de Portugal e com o Município de Grândola, por ser considerada fundamental a existência de uma ligação ferroviária ao corredor entre Sines, Espanha e o centro da Europa.
O projeto obteve, segundo a promotora, uma aprovação condicional em Conferência Procedimental em fevereiro de 2025, mas permanece dependente da emissão da Declaração de Impacte Ambiental e das licenças associadas à aprovação do Plano de Pormenor pelo Município de Grândola.
A consulta pública do Estudo de Impacte Ambiental decorreu até 2 de julho. A Qantara Capital considera que a conclusão desta fase representa um avanço decisivo num processo de aprovação que se prolonga há vários anos.
O promotor prevê iniciar as obras de infraestrutura após a emissão da Declaração de Impacte Ambiental e a obtenção das licenças definitivas. Não foi, contudo, divulgado um calendário atualizado para o início da construção, para a conclusão das diferentes fases ou para a entrada dos primeiros ocupantes.