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Procurement Conferência 2026 antecipa um programa feito de decisões reais

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📰 Fonte: Supply Chain Mag

A Procurement Conferência acontece em Lisboa, no dia 1 de outubro, e vai colocar no centro do debate aquilo que raramente cabe nos manuais: decisões tomadas com informação imperfeita, objetivos contraditórios e consequências reais. Liderança, Inteligência Artificial, transformação, negociação, gestão de fornecedores e os primeiros meses à frente de uma nova organização estão entre os temas de uma edição que reúne responsáveis de procurement de diferentes setores. As inscrições em regime early bird decorrem até 31 de julho.

Durante anos, o procurement foi avaliado sobretudo pela sua capacidade para reduzir custos, negociar melhores condições e garantir o abastecimento. Hoje, continua a ter de fazer tudo isso, mas num contexto completamente diferente. À pressão financeira juntaram-se a volatilidade das cadeias de abastecimento, o risco geopolítico, os objetivos de sustentabilidade, a escassez de informação e uma tecnologia que promete apoiar as decisões, mas nem sempre consegue eliminar  incertezas. Em muitos casos, já não existe uma solução que responda simultaneamente a todas as exigências.

É deste novo território que parte a edição de 2026 da Procurement Conferência, promovida pela Supply Chain Magazine, no dia 1 de outubro, no auditório do IAPMEI, em Lisboa, com o mote “Procurement sob pressão: Quando a decisão perfeita deixa de existir”.

Mais do que apresentar respostas fechadas, a conferência propõe-se discutir os critérios utilizados quando todas as alternativas implicam cedências. O que deve prevalecer quando custo, risco, disponibilidade, sustentabilidade e urgência apontam em direções diferentes? Até onde pode a tecnologia apoiar a decisão? E que tipo de liderança exige uma função obrigada a escolher entre o possível e o responsável?

O programa terá início com a apresentação, pela PwC, dos resultados da 6.ª edição do Global Digital Procurement Survey, um estudo internacional que analisa o grau de maturidade digital do procurement, o impacto da Inteligência Artificial e as prioridades que deverão moldar a evolução da função até 2030.

A Supply Chain Magazine associou-se à divulgação do questionário em Portugal, convidando os profissionais nacionais a contribuir para um retrato atualizado e representativo do mercado. Os resultados serão agora apresentados na Procurement Conference 2026, permitindo perceber como as organizações estão a responder à aceleração da transformação digital, à adoção de novas tecnologias e à crescente complexidade dos contextos de decisão.

Em edições anteriores, o Global Digital Procurement Survey revelou que 70% dos departamentos de compras ambicionavam atingir um estado avançado de digitalização até 2027 e que uma em cada duas organizações planeava investir em soluções de gestão de contratos nos três anos seguintes. A Inteligência Artificial surgia já como uma das tendências com maior impacto esperado na função. A apresentação da PwC permitirá perceber até que ponto essas ambições estão a concretizar-se, quais são atualmente as principais prioridades de investimento e como está a IA a passar da expectativa à utilização efetiva nas equipas de procurement.

Maryna Trepova, CEO e fundadora da IPSM Procurement, analisará o que significa exercer uma verdadeira liderança em procurement e quais são as competências mais relevantes no presente e para o futuro.

A transformação da função estará também em debate com Paulo Ferreira, Procurement Transformation Leader da TetraPod, e Lise Barbeaux, Senior Procurement Advisor da ORAZ Consulting.

Já Miguel Nuno Silva, Senior Consultant nas áreas de supply chain, logística, procurement e gestão de stocks, num registo mais desconcertante, mas nem por isso menos sério, propõe colocar o procurement “a nu”, numa intervenção que cruza inteligência artificial, inteligência humana e UI.

A Inteligência Artificial regressará ao programa através de um caso concreto apresentado por Tiago Cruz, GBS Procurement SL – Car Fleet and T&A Service Unit Manager da Syensqo. A intervenção mostrará como a tecnologia foi utilizada na comparação de propostas relacionadas com a frota automóvel, aproximando o debate sobre IA da realidade operacional das equipas.

O tema central da conferência dará também origem a uma mesa-redonda dedicada às decisões sob pressão e que será conduzida pela Deloitte. Ana Paula Mira, Global Purchasing Director da Largo Tempo, Daniela Dias, Purchasing Director da ERT Têxtil Portugal, e João Neves, Operational and Logistic Center Director do Turim Hotels Group, irão confrontar experiências provenientes de setores com exigências e cadeias de abastecimento distintas.

A conversa procurará sair do discurso abstrato para analisar situações em que os responsáveis de procurement tiveram de decidir sem dispor de todos os dados, gerir prioridades concorrentes ou assumir soluções/decisões que estavam longe de ser perfeitas.

O programa inclui ainda uma intervenção sobre Vested Procurement, a cargo de representantes da EY Nordics, centrada em modelos de relacionamento com fornecedores baseados na colaboração, em objetivos partilhados e na criação conjunta de valor.

Nem todos os erros de procurement acontecem durante a negociação. Alguns começam muito antes da primeira reunião com um fornecedor. Dina Agante é especialista em sourcing internacional e produção têxtil, apoiando marcas europeias na identificação e negociação com fornecedores, gestão do ciclo produtivo, coordenação logística e cumprimento de requisitos de sustentabilidade e rastreabilidade. Com mais de 15 anos de experiência em vários mercados europeus, conhece em profundidade a capacidade industrial portuguesa e atua tanto do lado das marcas como dos fornecedores. irá identificar erros que as marcas cometem, numa intervenção que chama a atenção para uma etapa frequentemente subestimada: a preparação.

A definição incompleta de requisitos, o desconhecimento da capacidade produtiva, expectativas desalinhadas e briefs pouco claros podem comprometer uma relação antes mesmo de existir uma proposta. A sessão pretende mostrar como uma negociação bem-sucedida começa na qualidade das perguntas, da informação e das decisões tomadas previamente.

Este ano, a conferência volta a apostar num formato que dá palco às equipas e ao processo coletivo de decisão. Em “O líder não vem sozinho – 5 decisões que tomámos juntos”, Luís Lobato, General & Admin. Services Director da Randstad Portugal, estará acompanhado por elementos da sua equipa para revisitarem decisões concretas.

O objetivo não será apresentar apenas o resultado final, mas revelar como cada decisão foi construída: que dúvidas surgiram, onde existiram divergências, que contributos alteraram o caminho inicial e o que é que a equipa aprendeu durante o processo. O formato parte de uma ideia simples: por detrás de uma decisão atribuída a um líder existe, muitas vezes, um trabalho coletivo que permanece invisível.

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