A decisão de três gigantes do comércio eletrônico – Shein, Shopee e AliExpress – de suspender a taxa de “blusinha” em seus marketplaces foi divulgada no início de maio. A medida, que afetou mais de 1,2 milhão de vendedores brasileiros, tem por objetivo reduzir custos de envio e aumentar a competitividade dos produtos de moda feminina. Em média, a taxa anterior custava cerca de R$ 12,00 por item, o que representava até 8% do preço final em algumas categorias.
O que aconteceu
Em comunicado interno divulgado em 3 de maio, a Shein anunciou a retirada da taxa de “blusinha” para todos os vendedores ativos no Brasil, enquanto a Shopee e o AliExpress seguiram a mesma linha no mesmo dia. A decisão foi motivada por pesquisas de mercado que apontaram queda nas vendas de blusas e camisas femininas em 15% no último trimestre, além de feedback de usuários sobre custos de envio elevados. Os marketplaces explicaram que a taxa, que era cobrada apenas em produtos de moda, foi substituída por um modelo de frete mais flexível, em que o valor fica a cargo do vendedor ou do comprador, dependendo da opção escolhida.
Os vendedores que já haviam configurado a taxa nas suas lojas tiveram que atualizar os seus perfis para evitar cobranças indevidas. A plataforma disponibilizou guias passo a passo e webinars gratuitos para auxiliar na transição. A retirada foi efetiva em 7 de maio, com o sistema automático desativando a cobrança em todas as lojas registradas.
O que muda para quem vende online
Para os sellers brasileiros que utilizam o Mercado Livre, Shopee e TikTok Shop, a eliminação da taxa de “blusinha” traz duas grandes vantagens: redução de custos operacionais e maior atratividade dos preços para os consumidores. No Mercado Livre, por exemplo, os vendedores poderão repassar o valor da taxa para o preço final do produto ou para o frete, tornando a oferta mais competitiva. Já na Shopee, a flexibilização do modelo de frete permitirá que os lojistas experimentem diferentes estratégias de entrega, como frete grátis ou frete à vista.
No TikTok Shop, embora a taxa não seja diretamente aplicada, a tendência de redução de custos em plataformas de moda pode inspirar ajustes nos preços dos produtos exibidos em vídeos curtos. Além disso, os lojistas terão que repensar sua política de frete, considerando que o custo pode ser absorvido ou repassado ao consumidor final.
- Redução de custos em até 8% por item vendido
- Maior flexibilidade na definição de frete
- Possibilidade de repassar margem para preços mais competitivos
Fique de olho
As plataformas têm sinalizado que continuarão monitorando o impacto das mudanças na taxa de “blusinha” e poderão ajustar outras políticas de comissão nos próximos meses. Os vendedores devem estar atentos a possíveis alterações nas regras de frete e nas taxas de comissão, especialmente se houver novas iniciativas de promoções ou integração de marketplaces. Além disso, a tendência de simplificar custos pode impulsionar o surgimento de novos modelos de frete, como frete pré-pago ou frete por assinatura, que exigirão adaptações nas estratégias de logística.
Para garantir competitividade, os lojistas devem analisar o comportamento de compra de seus consumidores, testar diferentes opções de frete e manter-se atualizados sobre as políticas de cada marketplace. A D3ECOM continuará acompanhando as mudanças e oferecendo insights práticos para que os sellers possam aproveitar ao máximo as oportunidades de crescimento no e-commerce brasileiro.