Em 2026, a chamada “taxa da blusinha” já alcançou a marca histórica de R$ 1,8 bilhão em arrecadação para o Tesouro Nacional. Essa taxa, que incide sobre vendas de roupas femininas em marketplaces digitais, reflete o crescimento explosivo do comércio eletrônico no Brasil. O valor arrecadado ultrapassa em muito o montante previsto na Lei de Informática de 2015, evidenciando a relevância desse tributo no cenário fiscal atual.
O que aconteceu
A taxa da blusinha foi instituída em 2023 como parte de uma reforma tributária que visa simplificar a tributação de produtos digitais e físicos vendidos por plataformas online. O imposto, equivalente a 3% sobre o valor da venda, foi aplicado a mais de 10 milhões de transações no primeiro semestre de 2026, gerando R$ 1,8 bilhão em receita. O governo federal divulgou o número em relatório anual, destacando que a taxa está sendo recolhida por marketplaces como Mercado Livre, Shopee e TikTok Shop, que processam cerca de 70% das vendas de roupas femininas no país.
O cálculo da taxa considera o valor total da mercadoria, sem incluir frete ou impostos já existentes, o que simplifica a contabilidade para os sellers. A arrecadação já foi reaplicada em programas de estímulo ao varejo digital e na modernização de sistemas de pagamento eletrônico, segundo o Ministério da Economia. A medida também trouxe maior transparência ao sistema tributário, reduzindo a evasão fiscal em torno de 15% em comparação ao período pré‑reforma.
O que muda para quem vende online
Para os sellers brasileiros, a taxa representa um custo adicional que precisa ser incluído no cálculo de margem de lucro. A maioria dos marketplaces já passou a descontar automaticamente o valor da taxa na hora da transação, evitando surpresas na hora de declarar impostos. No entanto, vendedores que optam por vender diretamente em sites próprios ainda precisam recolher o tributo manualmente, o que exige ajustes na contabilidade.
Além disso, a taxa pode influenciar a competitividade dos preços. Sellers que oferecem frete grátis ou descontos em compras podem precisar compensar a taxa para manter a margem. Plataformas maiores, como Mercado Livre, oferecem ferramentas de cálculo de preço que incluem a taxa, ajudando vendedores a ajustar automaticamente o valor final ao consumidor.
- Recolhimento automático e simplificado pelos marketplaces.
- Aumento de 3% na margem de custo para produtos femininos.
- Necessidade de ajustes no cálculo de preços para manter competitividade.
Fique de olho
Os lojistas devem acompanhar as atualizações da Receita Federal, pois há indicações de ajustes na alíquota para 2027, possivelmente reduzindo de 3% para 2,5% em categorias específicas. Também é importante observar a introdução de novos relatórios de vendas que exigirão maior detalhamento de transações, exigindo integração de ERP mais robusto.
Para se adaptar, recomenda-se investir em sistemas de automação de impostos e participar de webinars oferecidos pelos marketplaces sobre compliance tributário. Assim, as empresas podem evitar penalidades e otimizar suas margens em meio ao crescimento do comércio digital.