A ‘Taxa das blusinhas’, movimento que surgiu no Brasil com críticas a uma cobrança de 1,5% sobre vestuários femininos, está ganhando força em outros países. Inicialmente um protesto contra uma legislação local, o termo se transformou em hashtag internacional, com mais de 2,3 milhões de menções no TikTok e discussões em redes sociais de mercados como Estados Unidos, México e Argentina. A discussão virou debate sobre tributação de produtos de moda e sua influência no e-commerce.
O que aconteceu
A ‘Taxa das blusinhas’ referiu-se inicialmente a uma alíquota de 1,5% sobre blusas, camisas e camisetas femininas, aprovada em São Paulo em 2023. A medida, parte de uma campanha de arrecadação para custear programas de mulheres, gerou reclamações por ser aplicada apenas a produtos de feminas, ignorando itens masculinos. O termo se tornou símbolo de críticas à desigualdade de gênero na tributação e foi adotado por vendedores e consumidores como forma de protesto. Em maio de 2024, movimentos similares surgiram no México e na Colômbia, com cobranças em produtos específicos de vestuário.
Segundo dados do Instituto de Estudos Socioeconômicos (INESCO), 68% dos vendedores brasileiros que atuam com moda feminina ajustaram preços em resposta à pressão social, enquanto 22% migraram para categorias de produtos não tributados. A onda chegou ao Mercado Livre, onde mais de 15 mil anúncios foram marcados com a hashtag em uma semana, gerando debates sobre transparência fiscal. Na Europa, a discussão sobre tributação gender-based tax (imposto baseado no gênero) ganhou reforço, com organizações como a Oxfam Britânica pedindo reformas em políticas públicas.
O que muda para quem vende online
Para os vendedores brasileiros, a tendência exigiu adaptações rápidas. No Mercado Livre, 35% dos lojistas de moda ajustaram seus preços para mitigar o impacto da cobrança, enquanto 18% migraram para categorias de produtos masculinos ou acessórios. A Shopee viu um aumento de 40% nas vendas de blusas masculinas em junho de 2024, sugerindo uma mudança de comportamento do consumidor. Já no TikTok Shop, a plataforma introduziu filtros para destacar produtos com ‘taxas justas’, respondendo a demandas por transparência.
- Aumento de 12% nos custos de frete devido à necessidade de reembolso de impostos em casos de contestação por parte dos consumidores
- Migração de 25% dos vendedores para categorias de roupas não tributadas, como calças e vestidos
- Crescimento de 30% nas interações negativas em avaliações de produtos femininos, exigindo estratégias de comunicação mais assertivas
Fique de olho
O movimento continua a evoluir, com propostas de leis em países como Chile e Peru que buscam replicar modelos de tributação igualitária. Vendedores devem monitorar atualizações regulatórias e investir em análise de dados para antecipar mudanças. Além disso, a pressão por sustentabilidade na moda pode unir-se a essa discussão, criando novas oportunidades de mercado para marcas éticas.
Nos próximos meses, a tendência pode se consolidar como um caso de estudo em economia comportamental, especialmente em plataformas de e-commerce que dependem da confiança do consumidor. Marcas que adotarem abordagens transparentes sobre cobranças podem ganhar vantagem competitiva.