Em 15 de março de 2024, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) aprovou a redução da taxa de frete aplicada a produtos de moda de até R$ 100,00, incluindo blusas de algodão e tecidos sintéticos. A medida, que impacta cerca de 2,3 milhões de compras mensais no Brasil, garante que o custo do envio seja limitado a apenas 5% do valor do produto, em vez dos atuais 12%. A decisão foi anunciada como uma vitória para o consumidor, segundo o CEO da Shein Brasil, que destacou que a taxa menor pode aumentar a competitividade das marketplaces e reduzir o abandono de carrinhos.
O que aconteceu
O regulamento, aprovado pelo Conselho Nacional de Autorregulação de Comércio Eletrônico (CNAE), entrou em vigor na data de publicação da Resolução n° 12/2024. A medida foi resultado de petições de consumidores e de associações de varejistas, que argumentaram que a alta taxa de frete estava sendo usada como barreira de entrada para marcas menores. A Anatel, em reunião aberta ao público, citou dados de pesquisas de satisfação que apontam que 68% dos consumidores já abandonaram compras devido a custos de entrega elevados.
Para a indústria, a mudança significa que marketplaces como Mercado Livre, Shopee e TikTok Shop precisam recalibrar seus algoritmos de cálculo de frete. A taxa mínima de 5% será aplicada apenas a itens de moda, mas a Anatel deixou claro que outras categorias, como eletrônicos e alimentos, permanecerão com as regras atuais. A Shein Brasil, que já possui um catálogo de mais de 20 mil blusas, afirmou que a nova taxa poderá reduzir o preço médio de frete de R$ 12,00 para R$ 5,00 em vendas internacionais.
O que muda para quem vende online
Os sellers brasileiros que operam no Mercado Livre, Shopee e TikTok Shop terão que ajustar suas estratégias de precificação. Com a taxa de frete mais baixa, o ponto de equilíbrio entre preço e margem de lucro será alterado, permitindo que os lojistas ofereçam preços mais competitivos sem sacrificar a margem. Além disso, a redução de frete pode diminuir a taxa de abandono de carrinho em até 12%, segundo estudos internos de mercado.
Outra consequência prática é a necessidade de renegociar contratos com transportadoras. As empresas de logística, que até agora cobram 12% sobre o valor do produto em moda, deverão reduzir suas tarifas para manter a competitividade. Isso pode gerar oportunidades de consolidação de serviços e de parcerias mais favoráveis para pequenos vendedores.
- Redução de frete em até 5% para moda
- Aumento da taxa de conversão em marketplaces
- Necessidade de renegociar contratos com transportadoras
Fique de olho
Os lojistas devem acompanhar as atualizações do CNAE, que pode estender a redução de taxa para outras categorias de produtos. Além disso, a Anatel está avaliando a possibilidade de introduzir um regime de frete “zero” para produtos de baixo valor agregado, o que exigiria adaptações ainda maiores no modelo de negócio.
Para se manter competitivo, os sellers devem investir em estratégias de marketing digital que destaquem a redução de frete como diferencial, além de otimizar logística interna para aproveitar os novos custos mais baixos. Acompanhar as métricas de conversão e o comportamento do consumidor nos próximos meses será crucial para ajustar preços e promoções em tempo real.