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Taxa da blusinha arrecada R$ 1,8 bi em 2026 e muda jogo para sellers

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A taxa de importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50, conhecida como “taxa da blusinha”, já rendeu R$ 1,8 bilhão aos cofres federais apenas nos primeiros meses de 2026. O número confirma a previsão da Receita Federal de que o tributo se tornaria uma fonte relevante de arrecadação já no primeiro ano cheio de vigência. A medida, que entrou em vigor em agosto de 2024, eliminou a isenção que beneficiava plataformas asiáticas como Shein, Shopee e AliExpress. O volume de encomendas internacionais segue alto, mas a dinâmica de preços mudou radicalmente para o consumidor final.

O que aconteceu

O Remessa Conforme, programa que tributa compras de até US$ 50 com alíquota de 20% de Imposto de Importação mais 17% de ICMS (variável por estado), completou seu primeiro ano cheio em 2026. Segundo dados divulgados pelo InfoMoney com base em informações da Receita Federal, a arrecadação federal com o II atingiu R$ 1,8 bilhão no período. Antes do programa, essas compras eram isentas de imposto federal, gerando perda estimada de R$ 8 bilhões ao ano para a União. A medida foi negociada com as grandes plataformas, que se comprometeram a recolher o tributo na origem, agilizando a liberação alfandegária.

O resultado mostra que, apesar do custo adicional, o apetite do brasileiro por produtos importados baratos não arrefeceu. A Receita Federal processou volume recorde de encomendas em 2025, e a tendência se manteve em 2026. A diferença é que agora cada pacote chega com a nota fiscal emitida e os tributos pagos, o que reduziu drasticamente o tempo de permanência nos centros de distribuição dos Correios e terminais de carga aérea. O governo considera o programa um sucesso de compliance e arrecadação, enquanto varejistas nacionais comemoram a maior isonomia competitiva.

O que muda para quem vende online

Para sellers brasileiros que operam no Mercado Livre, Shopee e TikTok Shop, a taxa alterou a equação de preço e prazo. Produtos nacionais deixaram de competir com itens importados artificialmente mais baratos por sonegação. Quem tem estoque no Brasil ganha vantagem no frete (entrega em 1-2 dias contra 15-30 dias do cross-border) e na previsibilidade tributária. Por outro lado, lojistas que faziam dropshipping de fornecedores asiáticos viram suas margens comprimidas ou precisaram repassar o custo ao consumidor.

As plataformas adaptaram seus algoritmos: o Mercado Livre passou a dar mais visibilidade a sellers com estoque local (Full), a Shopee fortaleceu o programa “Entrega Garantida” para sellers nacionais e o TikTok Shop acelerou a onboarding de vendedores brasileiros com CNPJ ativo. A regra é clara: quem não tem estrutura logística no Brasil perde competitividade.

  • Fim da vantagem de preço artificial de dropshippers internacionais sem estrutura local
  • Algoritmos priorizam sellers com estoque no Brasil e entrega rápida
  • Necessidade de precificação com margem real, sem depender de isenção tributária

Fique de olho

A tendência para 2026/2027 é o endurecimento da fiscalização sobre a classificação fiscal (NCM) e o valor declarado nas encomendas. A Receita Federal já sinalizou que usará inteligência artificial para cruzar dados de marketplaces e identificar subfaturamento. Lojistas devem revisar suas fichas técnicas, garantir NCM correto e manter documentação de custo de aquisição. Quem importa para revenda precisa calcular o custo total landed (produto + frete + II + ICMS + taxas) antes de precificar.

Outro ponto de atenção: o governo estuda estender o Remessa Conforme para faixas de valor acima de US$ 50 com alíquotas progressivas. Sellers que dependem de importação direta para revenda devem avaliar a internalização de estoque ou a busca por fornecedores nacionais. A isonomia tributária veio para ficar e quem se adaptar primeiro captura market share.